He walked past the small red door on the busy street, amongst zombie-like men & women in black suits. Then came back. One knock. Two knocks. Nothing. Opened the door that screamed the sounds of rusty hinges waking up after a long winter of sleep. He stepped in. As silently as a cat.
It was dark enough to see almost nothing, except for a yellowish dim light at the end of what seemed to be a long corridor. The smell of curry blended with mold fulfilled his nose and his mind. It was almost familiar – the smell of dark and hidden things. The corridor leads to this room with a yellowish light hanging from a molded ceiling. Old furniture. Old people portraits on poorly painted green walls. A scratched sofa. A desk with a black telephone. Nothing more worth mentioning.
So he went on, for there were another two doors. He choose the one at the left corner, past the portrait of a chubby bald man with a cigarette hanging from his lips. Before entering the following room, he hears a piano song that could be Bach, if he knew what Bach sounds like (the hell with it). He hesitates a little bit because his mind knows this song. He had cried long ago hearing this song, played by his mom´s beautiful, long fingers. He had never listened to it again since that day. And it was Bach, for sure.The old lady playing that untunned piano was not his mother, but he stared at her. He thought his mother would have the same white greasy hair if she were alive by now. The lady could not see him. He saw trough her. He started to cry. He wanted to hugh her, in spite of her smell of curry and her greasy hair and her faded red dress. But he didin´t. By the time she finishes her sad Bach song, he is stepping out of the shadows, closing the small red door and taking a deep breath of curry-mold-free air. She never knew he was a grown up boy returning to his first house. A boy that had once called that shabby place home.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
13-05-09
Enquanto esperava Paulinho sair de uma reunião de trabalho que se estendeu até após o expediente, estacionei num local que me dava a visão completa de um bar de esquina. O estabelecimento, cuja fachada mal cuidada evidenciava certa decadência, era administrado por um senhor de óculos e sua esposa, com longos cabelos soltos, ambos aparentando terem entre cinqüenta e sessenta anos. À beira da mesa de sinuca, um homem jovem praticava suas tacadas observado por duas mulheres. Uma delas estava vestida com calça jeans e blusa amarela sem mangas, a outra com um vestido rosa estampado. Ambas estavam sentadas em banquinhos, os braços apoiados no balcão. Às suas frentes, garrafas de cerveja. Ao fundo, uma profusão de garrafas de bebidas dos mais variados tipos descansavam na prateleira, apenas para serem, de vez em quando, depositadas nos copos dos clientes. Quem seriam aquelas pessoas, num bar decadente às dezoito e trinta de uma quarta-feira qualquer?
As mulheres estavam de banho tomado, como sugeriam seus cabelos molhados, carentes de uma tintura que talvez o salário mensal não tivesse bastado para comprar. Suas roupas eram simples, suas bolsas espalhafatosas e baratas. A de vestido rosa estampado não sabia ler, eu tinha certeza. A de blusa amarela se levantou de seu banquinho e foi em direção à estufa de salgados que ficava no canto esquerdo do balcão. Pôs-se a olhar por um bom tempo e apontou com o dedo indicador para a senhora de cabelos longos do outro lado do balcão o salgado escolhido. Com a coxinha em mãos, alcançou o vidro de molho de pimenta ao lado da estufa e voltou ao seu lugar, cada passo uma mordida no quitute, após cada mordida umas gotas de molho. O homem ganhara a companhia de mais um jogador de sinuca e outro senhor que bebia algo aparentemente bem mais forte que cerveja, sentado em outro banquinho próximo ao balcão, enquanto fumava e acompanhava o jogo atentamente. Falavam sobre futebol, eu podia apostar.
As mulheres iniciaram uma conversa. A de amarelo riu, entre dois goles de cerveja. A de rosa levantou a garrafa do isopor para ver se o líquido havia acabado. O primeiro homem põe suas mãos em torno da cintura da mulher de amarelo. Ela o serve de cerveja, num copo que ficara vazio minutos antes. Eles dormiriam na mesma cama aquela noite, quase posso afirmar. A mulher de rosa talvez fosse irmã da de amarelo, afinal, havia uma correspondência em aparência, excluindo-se alguns quilos de diferença e alguns anos de idade. A mulher do dono do bar, com seus cabelos longos, põe-se a fritar alguma coisa na chapa. Carne para um lanche, talvez. Se meus pensamentos chegaram até ela, a mesma deveria estar ouvindo: compre uma toca e ponha na cabeça quando for preparar alimentos. Mas não, eu sou invisível para aquelas pessoas. Estou no escuro da rua perpendicular. Ninguém me vê. Só eu os vejo, e analiso.
Quando Paulinho chega, eu os entrego aos seus destinos, às suas cervejas, aos seus salgados, aos seus jogos, às suas camas, às suas vidas. Os abandono. Nunca saberei quem são.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Virginia Slims
Você segura o cigarro como quem executa habilmente um ofício nobre, os tragos enchendo os pulmões de calmaria enevoada. Fuma porque é rápido demais para acompanhar o mundo, ou o mundo devagar demais para seus pensamentos. Daí os cigarros, para equilibrar no corpo as doses de ansiedade, o peso do mundo que te consome aos poucos.
Você deveria ter nascido há algum tempo atrás, quando os homens usavam chapéus. Não que te ache um peixe fora d’água, com seus herings, zoomps e all-stars, mas é que assim te vejo: clássico. O cigarro é o terceiro de nós, e eu tenho quase certeza de que ele não te faz mal. Te fantasio como um daqueles personagens das antigas propagandas que apareciam fumando em paisagens paradisíacas e festas glamourosas, como se pudessem congelar a vida num único segundo. O tempo não te atinge e nem a nicotina te amarela. És imortal.
08 de Abril
Hoje ganhei flores
Vieram em roupa de festa
De Paulinho para André
Singelas em sua beleza honesta
O cheiro me lembrou de mato
Orvalhado da primeira hora
De algum lugar orgânico
Que existe por aí afora
Lírios, cravos e outras
Tão leves em seu frescor
Assim sempre as guardarei na memória
Com uma etiqueta escrita: amor
Vieram em roupa de festa
De Paulinho para André
Singelas em sua beleza honesta
O cheiro me lembrou de mato
Orvalhado da primeira hora
De algum lugar orgânico
Que existe por aí afora
Lírios, cravos e outras
Tão leves em seu frescor
Assim sempre as guardarei na memória
Com uma etiqueta escrita: amor
terça-feira, 28 de abril de 2009
Epidemia
Adoro teorias conspiratórias, como as que dizem que o homem nunca chegou à Lua ou que nossos telefones e e-mails são grampeados por uma rede de supercomputadores chamada Echelon. E agora tem a da gripe do porco, que, corre a boca pequena, é um pretexto para o mundo esquecer a crise financeira que assola os mercados. Fato é que as ações das indústrias farmacêuticas foram às alturas no dia de ontem e uma paranóia parece ter se instalado no México.
Daqui a pouco, estaremos todos de máscaras, nos escondendo de nós mesmos, com medo de tudo. Somos todos facilmente manipuláveis, como fantoches nas mãos de um grupo oculto que comanda o que acontece tanto aqui como em Timbuctu, e não adianta negar essa fragilidade. Acredito nisso piamente, assim como acredito que o “Admirável Mundo Novo” de Huxley, está logo ali, após a curva, como uma gigantesca armadilha de urso. Que Deus nos proteja.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Bálsamo
Sempre gostei de gente esquisita (e uso aqui a palavra "esquisita" sem qualquer rastro pejorativo). Sabe aquele tipo de gente com o olhar distante, as mãos inquietas? Aquele tipo de gente que os outros classificam como “losers”, subestimados, excluídos? Mesmo no longínquo tempo escolar, eu sempre fui amigo daqueles que odiavam educação física e se sentavam nas carteiras da frente. Talvez eu também fosse e seja "esquisito".
Estou tocando neste assunto porque ontem, ao assistir o documentário “Edifício Master”, de Eduardo Coutinho, me chamou atenção o depoimento de uma moça. Articulando sabiamente suas palavras, ela se definiu como neurótica e sociofóbica. Falou da vida, dos seus gatos, do problema que tem em não conseguir olhar nos olhos das pessoas enquanto fala com as mesmas. Recitou um poema em inglês de sua autoria, falou de quando morou em New Orleans, pois a mãe era do consulado. Mostrou suas pinturas, disse o quanto ficava feliz ao estar sozinha no elevador, pois aí não teria que ver e ser vista. De modo que, tenho quase certeza que a maioria das pessoas que viram o filme sentiram pena ou até riram da garota, por ela não se encaixar nos padrões estipulados por gente que se diz normal. Em contrapartida, o que eu senti foi uma grande empatia por ela, admiração pela sua inteligência e identificação com sua sensibilidade. O resto ficou em segundo plano.
Resumo da história: cada vez mais chego à conclusão que as pessoas que não se encaixam nos padrões sufocantes e pré-conceitos descabidos são as que realmente vivem a sua verdade. Existe algo mais belo e libertador?
Adendo: quando a garota do filme mostra sua pintura, a qual ela própria define como esteticamente ridícula e sem nenhuma pretensão artística, diz que, no momento em que ela a pintou, foi balsâmico, e a ajudou a resolver várias questões. Amei este termo, "balsâmico", e já o incorporei ao meu vocabulário.
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